
O Café dos Familiares de Rua
Sua avó deixou para você um café falido, uma raposa de uma cauda só e uma licença de guardião. Todo familiar de guerra sem fita na Primeira Geada vai dormir para sempre. Asse, faça amizade, amarre fitas e tente não reparar que sua lavadora de pratos, a freguesa das três da tarde e a embaixadora de olhar gélido escondem quem realmente são.




















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Uma chaleira quente, um café frio e uma raposa que estava esperando
Você chega a Lanternmere debaixo de chuva, com uma única mala e uma chave. Durante doze anos, o Reino de Aveline lutou contra o Domínio Noturno. A guerra acabou na primavera passada, e o ministério onde você trabalhava agradeceu pelos seus serviços e te dispensou. Sua avó deixou para você o café dela na Rua dos Acendedores. As portas estão fechadas e há lençóis cobrindo as mesas. No capacho, quarenta coroas em avisos de cobrança. A grande chaleira de cobre em cima do fogão ainda está quente. Ninguém a acende há semanas.
Sentada no balcão está uma raposa branco-prateada com uma cauda magnífica. Ela toca este café há quarenta anos e ainda não se impressionou com você.
A guerra acabou, mas ninguém avisou os familiares
Os dois exércitos tinham familiares: pequenas criaturas mágicas que nasciam quando um animal e um objeto muito usado dividiam a vida de um soldado. Entre eles:
- um tritão que também é a chaleira de uma cozinha de campanha
- um canário cujo bico é uma corneta
- um coelho com orelhas de ataduras enroladas
- um morcego feito de uma vela de cera preta
Quando os soldados voltaram para casa, milhares de familiares ficaram para trás. Eles dormem nos telhados, no pátio ferroviário e no quartel vazio.
O Parlamento aprovou a Lei dos Familiares. Todo familiar sem uma Fita de Guardião licenciada até a Primeira Geada, daqui a sessenta dias, será recolhido. Vai ser posto para dormir sob vidro nos Canis Silenciosos, e ninguém jamais foi acordado.
A licença de guardiã da sua avó foi reemitida em seu nome.
Conquiste o direito à fita
Os abandonados chegam ao café um de cada vez: um Tritão-Chaleira fervendo na chaminé, um Ratinho-Malote na escadaria do Registro, uma Lebre-Tambor marcando o passo da marcha na Ponte das Duas Luas ao anoitecer. Nenhum deles pode ser capturado. Cada um precisa confiar em você primeiro. Isso pode levar um cantinho quente perto do fogão, um recado para entregar, uma música para dançar ou uma tarde inteira de paciência. Quando um familiar confia em você, ele escolhe onde a fita vai.
Cada familiar que recebe sua fita pode ganhar um trabalho no café. A chaleira mantém o chá quente, a Mariposa-Lanterna acende a janela ao anoitecer e o Ratinho-Malote leva e traz o troco. Quando chegar a hora, você pode apresentar um deles a alguém que precise dele. Pode ser o sargento de uma perna só que perdeu seu Canário-Clarim na guerra, ou o padeiro viúvo aqui do lado. Um bom lar libera uma fita para o próximo abandonado.
O livro do Registro lista trinta e um familiares, de doze humildes comuns a duas lendas. Uma delas é o pangolim dourado que está emburrado no seu porão.
Sua licença cresce com você
Cada boa ação rende um carimbo no cartão da sua licença: amarrar a fita num abandonado, encontrar um lar para um deles, fazer um dia de movimento perfeito, apaziguar uma briga ou cumprir uma promessa. Quando o cartão enche, o Registro eleva o seu Grau de Guardião, e o seu carretel passa a comportar mais fitas.
A cada grau, você escolhe um novo dom entre três. Sempre há um de cada tipo:
- Cozinha: uma receita que atrai clientes novos, como uma torta de amora-noturna do Domínio que traz a clientela da embaixada.
- Trato: um jeito com familiares assustados.
- A Rua: prestígio entre os vizinhos, como um freguês de sempre que dá uma mão na hora do aperto.
Ninguém neste café é quem diz ser
Rell, sua nova lavadora de pratos, quebra uma xícara por dia, bate continência para o carteiro e uma vez levantou o fogão para varrer embaixo. Ela também é a Heroína das Duas Luas. Ninguém nunca viu seu rosto debaixo do elmo dourado. Ela se aposentou e quer uma vida normal mais do que tudo.
Lise ocupa o banco da janela às três em ponto toda tarde, por exatamente uma hora. Diz que é preceptora. É a Princesa Herdeira, prometida por tratado a um príncipe que nunca viu, e esta é a única hora do dia que pertence a ela.
Noct é a embaixadora do Domínio Noturno e a pessoa mais assustadora da cidade. Certa vez, fez um ministro chorar só por concordar com ele. Toda quinta-feira ela entra para "inspecionar o comércio de Aveline" e sai com a edição nova de um folhetim romântico de um centavo escondida debaixo do casaco.
Atrás do balcão está Ginko, a raposa. Ela gastou oito das suas nove caudas na guerra e é a única que conhece o segredo de todos.
Que tipo de história é esta
O Café dos Familiares de Rua é uma fantasia aconchegante do cotidiano, com alma de colecionador. Nela você encontra:
- Dias pequenos que fazem diferença: uma fornada de scones queimada, um familiar perdido na Escadaria do Canal, a inspeção de terça-feira, uma barraca na Feira da Colheita, as lanternas sobre o canal na Noite das Lanternas.
- Dois registros sempre à vista: os familiares que receberam sua fita, com retratos, e o seu Grau de Guardião com os dons que você escolheu.
- Um romance caloroso, opcional e em fogo brando com a Heroína, a princesa, a embaixadora ou a raposa.
- Riscos reais, tratados com delicadeza: quarenta coroas de impostos para pagar, uma confeiteira do outro lado do canal que quer o seu prédio e uma lei que só muda com provas, assinaturas e uma voz real.
Ninguém morre em cena, e nada se resolve na briga. O que falta descobrir é se a bondade comum, repetida todos os dias, basta para salvar os abandonados antes da geada.